quinta-feira, 18 de abril de 2013

Diário de Bordo 1

Outra atividade de semiótica passada para a minha turma foi de fazer um diário de bordo, ou seja, relatar um dia de sua vida ou um momento do dia e descrever suas experiências e conclusões. O recomendado foi fazer um vídeo (estilo vlog), mas a professora deu permissão para aqueles que também quisessem escrever, e eu resolvi escrever sobre uma das primeiras coisas que faço durante o dia, que é ir para a universidade, no caso a Universidade Federal do Ceará (UFC), Campus do Pici. Porém, tomarei como base um detalhe específico dessa ida para o campus, que é a viagem de ônibus.

Outro detalhe a adicionar é que a professora especificou que essa atividade fosse feita nesta quinta-feira, dia 18/04/2013. eu poderia ter quebrado essa regra, mas não o fiz.

Abaixo relatarei minha viagem.

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Ônibus 621 - Pedras 1

Hoje esta chovendo. Costumo gostar de dias chuvosos, especialmente quando estou em casa. Também gosto de andar em transportes públicos desde pequeno. Lembro-me de quando eu sonhava em ser motorista de ônibus, pois assim eu poderia passar o dia inteiro olhando pelas janelas de vidro as paisagens que se sucediam, e com um detalhe: eu ganharia dinheiro por isso. Bem, hoje estou adulto e muita coisa mudou, inclusive alguns de meus sonhos, mas ainda costumo gostar de transportes públicos em geral e de dias chuvosos. Entretanto, não gosto dos dois juntos.

Uma das coisas mais interessantes de se andar de transporte público, seja ônibus, topique, metrô ou o que quer que seja é sentir o vento batendo em seu rosto. Quando chove temos que fechar todas as janelas para que a água não entre no transporte, o que deixa o ambiente muito abafado. E como Fortaleza esta quente mesmo em dias de chuva, o calor estava insuportável (é valido lembrar que são raros os transportes públicos de Fortaleza com ar condicionado). Por sorte eu moro relativamente perto do terminal de Messejana, meu primeiro destino, o que fez com que a viagem demorasse cerca de cinco ou seis minutos. A única coisa em que eu pensava era em sair logo de lá, e acho que todos ali comigo estavam pensando o mesmo (até o motorista e o trocador).

Ônibus 082 - Antônio Bezerra/Messejana



A viagem dessa vez seria cerca de uma hora, ou seja, bem mais longa, o que me fez ter vontade de ir do lado da janela para pelo menos poder me distrair com a paisagem do lado de fora, já que eu não podia abrir as janelas do dirigível. Pois é, consegui ficar do lado da janela, com o detalhe de que fiquei em pé na área do ônibus reservada aos cadeirantes (mas como não havia cadeirante algum ali, não incomodei ninguém). Outro detalhe era que esse ônibus em particular possuia as janelas um pouco mais baixas que o comum. Normalmente isso seria um problema irrelevante, com exceção de que eu sou um pouco alto
e fiquei a ver quase que apenas o chão da rua, o que me incomodou um pouco.

Esse ônibus parecia estar mais quente que o anterior, mas eu tinha que me conformar, pois não sairia dele tão cedo. Agora a chuva estava bem mais forte, e mesmo com as janelas fechadas a água da chuva invadia o transporte, mas claro, não chegava a ser um aguaceiro. Tinha um senhor que estava cochilando em um assento ao meu lado e toda vez que o ônibus freava a água acumulada nas bordas das janelas transbordavam e quase o molhava. Não me orgulho do que vou dizer agora, mas acharia divertido ver a água atingir e acordar aquele senhor. Obviamente não gostaria que isso acontecesse comigo, e também não tinha nada contra o homem, mas o contexto era outro. Eu estava seguro e só teria a ganhar naquela situação.

Próximo a metade do caminho, por já estar entediado com a viagem que estava um pouco desconfortável, aproveitei o embaçado que a chuva formara nos vidros das janelas para desenhar utilizando o meu dedo indicador direito. Não sei como, mas por meio de rabiscos aleatórios consegui desenhar o Gary Carvalho, primeiro e maior rival de Ash Ketchum, em Pokémon. Pouco tempo depois desse ocorrido, um dos acentos foi desocupado. Não foi um do lado da janela, mas ainda sim resolvi ir até ele para poder descansar o resto da viagem. Fechei os olhos.

Algum tempo depois o ônibus fez a curva que anunciara que o final da viagem estaria próximo. Decidi abrir os olhos e me preparar para o tão esperado momento. A chuva já estava cessando. Os vidros das janelas não estavam mais embaçados, pois a água que escorria da parte de cima do dirigível estavam quase que lavando as janelas (pobre do meu desenho ; _ ;). Como o ar estava mais denso por causa do frio (frio esse inexistente do lado de dentro do transporte), as paisagens mais distantes estava claras e ascinzentadas, e umas até mesmo chegavam a sumir em meio àquela densa névoa. E o cenário do lado de foram junto da água que escorria de cima do ônibus, distorcendo todas as formas possíveis do lado exterior, formavam uma combinação um tanto quanto diferente, mas que não deixava de ser bela.

E por fim não poderia deixar de citar o fim dessa viagem em específico, pois o contraste do céu asul com alguns resquícios de nuvens pesadas e o sól que finalmente atingia a superfícia funcionara como boas vindas para os viajantes que chegaram ao terminal do Antônio Bezerra. Me pergunto se mais alguem pensou como eu nessa hora.

Ônibus 389 - Jovita Feitosa



Esse de fato foi o ônibus de viagem mais rápida do meu percurso antes de chegar ao Campus. Eu estava bem mais atento, pois a qualquer instante eu teria de dar o sinal para descer do veículo. Ainda assim não perdi a oportunidade de reparar em dois detalhes que só poderiam ser propícios em dias chuvosos: as gotas d'água e as poças. As gotas me fascinam pelo simples e ao mesmo tempo complexo detalhe de que elas refletem tudo a sua volta, só que de cabeça para baixo, detalhe esse que poucos param para observar, e alguns até mesmo ignoram, mas que consegue me fascinar. Já as poças... bem, fugir delas, ou de um carro que passe em cima de uma, não é tão divertido, mas observar de dentro do ônibus a onda que se levantava  foi no mínimo bonito. Detalhe: não estou levando em consideração o sofrimento de alguns que estavam do lado de fora.



Ônibus 020 - Campus do Pici

Eu poderia encerrar o meu diário de bordo no ônibus anterior, pois neste momento eu já havia chegado ao meu destino. Mas fiz questão de não ignorar os transportes que passam dentro da universidade.

Esses transportes circulam exclusivamente dentro do campus e são gratuitos, ou seja, não precisam de trocadores. Aproveitando-me disso, peguei um dos dirigíveis e me sentei na cadeira do trocador. Era enraçado ver as pessoas olhando para mim. Umas admiradas, outras com um ar de reprovação, e algumas apenas reparavam e nada mais. Mas o que mais me chamou a atenção foi uma garotinha acompanhada de sua mãe que ficou me encarando durante um bom tempo, logo após me sentar na cadeira. A menininha me encarou por tanto tempo que eu fiquei em dúvida se ela estava admirando minha "beleza" ou se estava com inveja de mim, pois eu estava no lugar que o trocador costuma ficar. Talvez a mãe dela tenha a proibido de sentar naquele banco. Bem, a mãe dela estava certa, pois aquele lugar não é tão firme, e qualquer elevação que o ônibus passa a cadeira dá um salto enorme.



Depois de um pouco mais de um minuto (ou talvez menos, não sei), finalmente cheguei ao Núcleo de Processamento de Dados (NPD), que estava sem energia, assim como todo o Campus, mas isso já é uma outra história.

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Bem, esse foi o meu diário de bordo. Resolvi tratar especificamente de uma viagem de ônibus pelo simples fator de a maioria das pessoas ignorarem um universo de coisas que acontece em um pequeno local e em curto espaço de tempo. Seja dentro ou fora do ônibus, muita, mas muita coisa pode ser vista e apreciada. Claro que nem todos querem perder tempo com isso, o que de fato é até compreensível, mas não podemos ignorar o fato de que muitas coisas simultâneas acontece em todo e qualquer lugar, inclusive nos transportes públicos.

Tenho muitas histórias para contar de minhas viagens, mas muitas mesmo. Mas acho que ninguém estaria interessado de ouvir (ou ler). Uma pena.






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